Mito: Os drones vão acabar com o setor de aerolevantamento convencional. Fato: O aerolevantamento convencional continuará a ter um relevante papel no desenvolvimento da geoinformação nacional.

Além de aguçar o encanto do ser humano com as máquinas voadoras, a abrangência de utilização dos drones é enorme e trouxe grandes facilidades para executar missões, antes complexas e caras (considerando como drone toda a gama de veículos aéreos não tripulados). Estima-se que, com a finalidade de uso na geoinformação, a abrangência da aplicação de drones gira em torno de 15%, considerando todos os outros usos. Sua utilização está mais associada à escala topográfica, auxiliando o topógrafo nos levantamentos de pequenas áreas. O aerolevantamento convencional se enquadra na escala cartográfica, sendo executado com utilização de aeronaves tripuladas, permitindo cobrir grandes áreas em uma única missão aérea, sem restrições em regiões de difícil acesso ou com relevo acidentado, bem como não dependem de telemetria na operação. Além da autonomia aferida em horas e menos susceptíveis às turbulências, aeronaves convencionais permitem embarcar sensores robustos, construídos com arquitetura de precisão, que cobrem áreas de dimensões consideráveis com menos varreduras, proporcionando maior rigidez geométrica dos dados obtidos, diminuindo custos, prazos de processamento e garantindo a exatidão cartográfica. Como todas as áreas do conhecimento, o aerolevantamento convencional evoluiu sobremaneira na última década, principalmente com a viabilização dos sensores laser aéreos, também conhecidos como LIDAR. Estes, associados às câmeras aerofotogramétricas, permitem obter modelagens de terreno altamente precisas, mesmo em áreas com vegetação densa, o que sempre foi uma limitação da aerofotogrametria. Diferente das câmeras aéreas, que são sensores passivos, o perfilador laser é um sensor ativo, emitindo pulsos de forma a “escanear” a superfície terrestre. Para isso exige alimentação de energia compatível com a intensidade da varredura. A título de exemplo, sensores fotogramétricos de grande formato podem cobrir uma faixa de voo com mais de 2.000 metros de largura, obtendo em uma fotografia dimensão superior a 3,0 km2 no terreno, com imagem de resolução geométrica de 10 cm. Os sensores laser robustos, têm capacidade para fazer varredura com densidade de 30 pontos/m2 em faixa com largura de mais de 1.000 metros. Associados a esses sensores, foram desenvolvidos softwares que processam os dados com eficiência e precisão, minimizando erros comuns em processamentos que demandam maior dependência de técnicos operadores. Grande parte das inovações científicas que popularizam o uso de novas ferramentas tendem a criar expectativas que podem não se concretizar nos curto e médio prazos. Conclui-se assim que o drone é mais uma fantástica ferramenta para executar aerolevantamentos, viabiliza custos em sua escala de operação, consolidando assim seu espaço no segmento da geoinformação, porém ainda não se vislumbra o fim o aerolevantamento convencional.

Cláudio Márcio Queiroz é Engenheiro Agrimensor, Diretor de Negócios da TOPOCART Topografia, Engenharia e Aerolevantamentos Ltda. e vice-presidente da ANEA – Associação Nacional de Empresas de Aerolevantamento. www.topocart.com.br – queiroz@topocart.com.br